Baixa fecundidade e adiamento do primeiro filho no Brasil

Palavras-chave: Adiamento da fecundidade. Nascimentos de primeira ordem. Brasil.

Resumo

O Brasil vem passando por um processo de adiamento dos nascimentos, o que tem contribuído para que a fecundidade observada seja reduzida pela ação do efeito tempo. Nesse contexto, o primeiro nascimento assume importância, na medida em que o momento da sua ocorrência está relacionado ao dos nascimentos subsequentes e ao potencial de recuperação dos nascimentos adiados. O objetivo deste trabalho é analisar o comportamento dos nascimentos de primeira ordem no Brasil, levando-se em conta a heterogeneidade regional. Buscam-se elementos que possam enriquecer o debate acerca do futuro da fecundidade no país. São utilizados os dados dos Censos Demográficos e as histórias de nascimentos reconstruídas a partir destes, para o período de 1980 a 2010. Os resultados mostram a persistência dos diferenciais regionais e indicam um cenário de adiamento do primeiro filho no Brasil e de aumento da proporção de mulheres que terminam o período reprodutivo sem filhos. Caso os diferenciais regionais se reduzam, a tendência é de acirramento do adiamento e queda adicional dos níveis de fecundidade.

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Biografia do Autor

Adriana Miranda-Ribeiro, Cedeplar/UFMG

Doutora em Demografia. Professora adjunta do Departamento de Demografia e pesquisadora do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Ricardo Alexandrino Garcia, IGC/UFMG

Doutor em Demografia. Professor associado do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Tereza Cristina de Azevedo Bernardes Faria, Cedeplar/UFMG

Mestre em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais. Doutoranda em Demografia, no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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Publicado
2019-10-02
Como Citar
Miranda-Ribeiro, A., Garcia, R. A., & Faria, T. C. de A. B. (2019). Baixa fecundidade e adiamento do primeiro filho no Brasil. Revista Brasileira De Estudos De População, 36, 1-18. https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0080
Seção
Artigos originais