A penalidade pela maternidade: participação e qualidade da inserção no mercado de trabalho das mulheres com filhos

  • Janaína Guiginski Universidade Federal de Minas Gerais
  • Simone Wajnman Universidade Federal de Minas Gerais
Palavras-chave: mercado de trabalho, relações de gênero, filhos

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar o impacto da presença e do número de filhos sobre a participação e a qualidade da inserção no mercado de trabalho das mulheres brasileiras. Os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego para seis regiões metropolitanas foram empregados em modelos de regressão logística para avaliar se as mulheres com e sem filhos diferem em termos de probabilidades de participação no mercado de trabalho, precariedade da ocupação, jornada de trabalho parcial e trabalho autônomo. Os resultados para os homens são também analisados, como contraponto. A presença de filhos, em especial em idade pré-escolar, afeta significativamente a condição de inserção das mulheres no mercado de trabalho, diminuindo a probabilidade de participação e elevando as chances de trabalho precário, de jornada parcial e de trabalho autônomo. Para os homens, os resultados são menos consistentes e, muitas vezes, a presença de filhos não se mostra estatisticamente significativa. Chega-se à conclusão de que é necessário redefinir os papéis de gênero, de modo a acomodar os distintos papéis sociais desempenhados pelas mulheres, para que sejam atenuadas as penalidades a que estão submetidas quando buscam conciliar trabalho e família.

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Biografia do Autor

Janaína Guiginski, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutora em Demografia pela Universidade Federal de Minas Gerais (CEDEPLAR/UFMG).

Simone Wajnman, Universidade Federal de Minas Gerais

Professora Titular do Departamento de Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais (CEDEPLAR/UFMG).

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Publicado
2019-11-04
Como Citar
Guiginski, J., & Wajnman, S. (2019). A penalidade pela maternidade: participação e qualidade da inserção no mercado de trabalho das mulheres com filhos. Revista Brasileira De Estudos De População, 36, 1-26. https://doi.org/10.20947/s0102-3098a0090
Seção
Artigos originais