O impacto da sobrecarga de trabalho remunerado e não remunerado na saúde mental de homens e mulheres no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0342

Palavras-chave:

Horas de trabalho, Saúde mental, Divisão sexual do trabalho, Desigualdade de gênero

Resumo

Este trabalho utiliza dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 e modelos de regressão linear e quantílica para analisar a associação entre as cargas de trabalho remunerado e não remunerado e a incidência de sintomas depressivos na população brasileira ocupada, analisando as desigualdades de gênero nessa relação. Os resultados indicam que, tanto para homens quanto para mulheres, a relação entre a jornada de trabalho remunerado e o escore de sintomas depressivos é não linear, assumindo a forma de uma parábola côncava para cima, com vértice em 40 horas semanais. Assim, a partir desse limiar, aumentos na jornada remunerada afetam negativamente a saúde mental, com efeitos marginais mais intensos nos quantis superiores da distribuição. Em se tratando do trabalho doméstico não remunerado, a relação observada é linear, com aumentos na carga de trabalho deteriorando a saúde mental, especialmente no caso das mulheres, para quem o efeito deletério de uma hora adicional de afazeres domésticos e de cuidado é quase o dobro do observado para os homens. Conclui-se que a divisão sexual do trabalho, que impõe uma sobrecarga desproporcional de trabalho não remunerado às mulheres, é um fator determinante do hiato de gênero em saúde mental no Brasil.

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Biografia do Autor

Natasha Kristy Bezerra Quaresma, Universidade Federal de São Paulo

Bacharel em Ciências Econômicas e mestranda em Economia e Desenvolvimento pela Universidade Federal de São Paulo.

Josimar Gonçalves de Jesus, Universidade Federal de São Paulo

Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2012). É mestre (2016) e doutor (2020) em Economia Aplicada e pós doutor em Economia (2023) pela Universidade de São Paulo. Sua principal linha de pesquisa é a análise da distribuição da renda no Brasil, atuando nos seguintes temas: mercado de trabalho, desigualdade de renda, pobreza, insegurança alimentar, agricultura, econometria e métodos quantitativos.

Daniela Verzola Vaz, Universidade Federal de São Paulo

Professora Associada da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Universidade Federal de São Paulo (Eppen/Unifesp). Bacharel (2002), Mestre (2005) e Doutora (2010) em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência e interesse nas áreas de Economia Social e do Trabalho, Economia do Gênero e Demografia Econômica. É docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Economia e Desenvolvimento da Eppen/Unifesp e pesquisadora do Grupo de Estudos em Economia da Família e do Gênero (gefam.com.br).

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Publicado

2026-11-04

Como Citar

Quaresma, N. K. B., Jesus, J. G. de, & Vaz, D. V. (2026). O impacto da sobrecarga de trabalho remunerado e não remunerado na saúde mental de homens e mulheres no Brasil. Revista Brasileira De Estudos De População, 43. https://doi.org/10.20947/S0102-3098a0342

Edição

Seção

Artigos originais